Associação Cultural e Recreativa
Brasil - Alemanha


190 anos da colonização alemã no Brasil

156 anos da colonização alemã em Juiz de Fora

153 anos da inauguração da Estrada União Indústria

142 anos da Associação Alemã de Beneficiêcia

45 anos de Festa Alemã

21 anos da ACRBA


Juiz de Fora / MG - Brasil

IMIGRAÇÃO


Imigrao alem no Brasil


Populao total:
18 milhes
10% da populao brasileira
Lnguas:
Predominante Portugus. Minorias falam alemo e dialetos como o hunsrckisch
Religies:
Predominante Catlicos e Protestantes.
Grupos tnicos relacionados
brasileiros, alemes, germano-americanos

A imigrao alem no Brasil foi o movimento migratrio ocorrido nos sculos XIX e XX de alemes para vrias regies do Brasil. As causas deste processo podem ser encontradas nos freqentes problemas sociais que ocorriam na Europa e a fartura de terras no Brasil. Atualmente, estima-se que dezoito milhes ou 10% dos brasileiros tm ao menos um antepassado alemo. Os alemes, atrs apenas dos italianos, formam a principal etnia no Sul do Brasil.

1- Presena antes da grande imigrao
No imigrantes, mas que estiveram no Brasil e que no podem deixar de ser citados, como originrios da regio onde hoje se situa a Alemanha:
O primeiro "alemo" a chegar no Brasil: o astrnomo e cosmgrafo Meister Johann, exercendo a funo de nutico de Pedro lvares Cabral. Natural de Emmerich, atual Alemanha, por ocasio da descoberta, emitiu o "certificado de nascimento do Brasil". Consta que tambm o cozinheiro de Pedro lvares Cabral seria originrio da regio onde hoje se localiza a Alemanha.
Assim, tambm existem indicaes de que judeus e muulmanos estiveram bordo das naves martimas dos exploradores portugueses de ento. Hans Staden (1525 - 1576), de Homberg, esteve no Brasil e foi quem escreveu o primeiro livro em lngua alem sobre o Brasil.


2- O incio da imigrao
Os primeiros imigrantes alemes foram trazidos ao Brasil a mando do Rei Dom Joo VI. Em 1818, o governo assenta famlias suas originrias dos Cantes Germnicos nas serras fluminenses. Estas fundam o municpio de Nova Friburgo. No mesmo ano, colonos alemes so mandados para a Bahia.
Em 1820, chegam os primeiros alemes a Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro. Dom Joo VI tentava atrair mais imigrantes alemes. Em 1823, aps a independncia, foram criados os batalhes de estrangeiros, para garantir a soberania nacional. Ento, a busca oficial por colonos (nesta fase, alemes) passou a ser uma poltica imperial.
Em 1824, os primeiros alemes chegam ao Sul do Brasil, sendo assentados margem sul do Rio dos Sinos, onde a antiga Real Feitoria do Linho Cnhamo fora adaptada para servir como sede temporria dos recm-chegados, na atual cidade de So Leopoldo.
Em 1828, colonos alemes se instalaram nas adjacncias da cidade de So Paulo (Santo Amaro).


2.1- Causas da imigrao
A Alemanha, no incio do sculo XIX, passava por novos desenvolvimentos econmicos: a industrializao teve um grande impulso, necessitando de mo-de-obra especializada, o que causou a runa de muitos artesos e trabalhadores da indstria domstica. Sem poderem desenvolver suas atividades artesanais, esses trabalhadores livres comearam a formar um exrcito de mo-de-obra (barata) assalariada para a indstria que estava nascendo.
Com os novos maquinrios, tambm houve o aumento de produtividade no campo junto diminuio de mo-de-obra, causando o desemprego de camponeses. Como a Alemanha passava por uma desintegrao de sua estrutura feudal, muitos camponeses que eram apenas servos ficaram sem o trabalho e sem o direito de morar nas terras, ao mesmo tempo em que a populao aumentava. Sem a terra para viver, migravam para as cidades e somavam ao nmero de proletariados.

Parece-me que os nossos bons compatriotas nesta natureza sul-americana livre, onde esto expostos a lutas peculiares contra obstculos naturais, desenvolvem, ainda mais determinao em resolver e agir...Por entre dificuldades comearam eles, mas conquistaram o solo e os que na Alemanha eram criados tornaram-se senhores pelo direito do trabalho
Robert Av-Lallemant - Viagem pela Provncia do Rio Grande do Sul, 1858
A imigrao tambm no acontecia somente por insatisfao social com as novas perspectivas do sculo XIX. Nessas mudanas econmicas que agitavam o continente europeu, a indstria desenvolveu as cidades e causou o despovoamento dos campos. medida que a riqueza aumentava, a sade e o acesso a novos gneros alimentcios melhoravam, e a populao aumentava. Ento a princpio, os governos europeus incentivavam e encorajavam a emigrao, como vlvula de controle do aumento da populao. Com a introduo da mquina a vapor e inovaes como o transatlntico com propulso a hlice, milhes de pessoas se movimentavam entre os continentes, em uma emigrao que no obedecia a nenhum planejamento, dependendo somente de decises pessoais, entre elas a insatisfao, o medo, ou o desejo de uma vida melhor.
O governo alemo tambm encorajava grupos de empreendedores a conhecer novas terras para conseguir mercado para os produtos alemes. Para algumas colnias, chegou-se a fazer o planejamento, e a contratao de administradores e profissionais liberais para a formao das colnias, que vinham para o Brasil e formavam sua vida aqui. Embora desejadas, as relaes comerciais entre as colnias alems e sua terra de origem foram modestas, muitas vezes restando somente aos colonos a identificao cultural com a terra de origem, pois no mais tinham contato com ela.
Os alemes que imigraram para o Brasil eram normalmente camponeses insatisfeitos com a perda de suas terras, ex-artesos, trabalhadores livres e empreendedores desejando exercer livremente suas atividades. Tambm perseguidos polticos, pessoas que perderam tudo e estavam em dificuldades, pessoas que eram contratadas atravs de incentivos para administrarem as colnias ou pessoas que eram contratadas pelo governo brasileiro para trabalhos de nveis intelectuais ou participaes em combates.


2.2- A imigrao em nmeros
Os alemes no chegaram ao Brasil em grandes contingentes, como ocorreu com os portugueses e italianos. Porm, a imigrao ocorreu durante longo tempo, desde 1824, com a chegada dos primeiros colonos, at aproximadamente a dcada de 1960, quando chegaram as ltimas levas significativas. Alcanou seu nmero mximo na dcada de 1920, aps a I Guerra Mundial. Houve, de certa forma, dois ciclos de imigrao alem no Brasil: o primeiro decorrente da poltica de colonizao, sobretudo nos estados do sul do Brasil, incentivado pelo governo brasileiro, e um outro ciclo posterior, sem incentivo oficial do governo brasileiro.
Durante muitas dcadas, os alemes chegaram a ser o maior grupo de imigrante a entrar no Brasil, superando inclusive os portugueses. Esse perodo aconteceu em grande parte do sculo XIX.


2.3- Imigrao voltada para a colonizao
A imigrao alem no Brasil foi, inicialmente, uma iniciativa de colonizao e povoamento. Este projeto foi arquitetado pelo Rei D. Joo VI e, posteriormente, pelo imperador D. Pedro I. A colonizao continuou a ser efetuada pelo imperador D. Pedro II, durante o Segundo Reinado.
A concentrao da colonizao alem no Sul do Brasil possui uma explicao: grande parte da regio estava despovoada e as fronteiras com as ex-colnias espanholas ainda no estavam bem-definidas. Em conseqncia, a falta de povoadores na regio poderia culminar numa fcil invaso estrangeira. Com a Independncia do Brasil, a imigrao portuguesa declinou por um certo tempo. O governo brasileiro se viu obrigado a procurar novas fontes de imigrantes: vieram alguns suos, porm foram os alemes aqueles que ficaram incubidos de colonizar o Sul do Pas.

3- A imigrao durante o sculo XIX
3.1- A colonizao no Rio Grande do Sul
Em 1824 chegam os primeiros colonos alemes ao Rio Grande do Sul, sendo assentados na atual cidade de So Leopoldo. Os alemes chegavam em pequeno nmero todos os anos, porm eram em nmero suficiente para se organizar e expandir pela regio.
Nos primeiros cinqenta anos de imigrao, foram introduzidos entre 20 e 28 mil alemes ao Rio Grande, a quase totalidade deles destinados colonizao agrcola. Os primeiros colonos vieram de Holstein, Hamburgo, Mecklemburgo e Hannover. Depois, passaram a predominar os oriundos de Hunsrck e do Palatinado. Alm desses, vieram da Pomernia, Vestflia e de Wrttemberg.
Outras colnias foram criadas na sequncia, como Trs Forquilhas, Nova Petrpolis, Teutnia, Santa Cruz, So Loureno, Colnia Santo ngelo, Colnia de Santa Maria do Mundo Novo, etc.
Em algumas dcadas, a regio do Vale do Rio dos Sinos estava quase que completamente ocupada por imigrantes alemes. A colonizao transbordou da regio, se expandindo por outras reas do Rio Grande do Sul. notvel que a colonizao alem foi efetuada em terras baixas, seguindo o caminho dos rios. Na dcada de 1870, praticamente todas as terras baixas do interior do Rio Grande do Sul estavam sendo ocupadas pelos alemes, porm, as terras altas no atraam os colonos, permanecendo desocupadas at a chegada dos italianos, em 1875.


3.2- A colonizao em Santa Catarina
Ao contrrio do que sucedeu no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina a colonizao alem no foi promovida atravs do governo, mas por iniciativas privadas. As colnias alems mais importantes foram criadas a partir de grupos como Hermann Blumenau e Ferdinand Hackradt (em 1850 a Colnia Blumenau) e pela Sociedade Hamburguesa (em 1851, a Colnia Dona Francisca, atual Joinville), ao norte do litoral do estado. A partir do incio do sculo XX, imigrantes alemes foram trazidos do Rio Grande do Sul para ocupar novas colnias no oeste do estado. Essas colnias j no eram exclusivamente alems, pois tambm continham outros grupos de imigrantes, principalmente italianos.


3.3- A colonizao no Paran
Embora menos numerosos, o alemes tambm marcaram forte presena no Paran. A primeira colnia foi fundada em 1829. Entre 1877 e 1879, chegou nmero aprecivel de alemes vindos da Rssia (os alemes do rio Volga, ver artigo: Alemes-Bessarbios). A maior parte dos imigrantes chegou no incio do sculo XX, vindos diretamente da Alemanha, e se estabeleceram sobretudo nas regies leste e sul (em cidades como Curitiba, Ponta Grossa, Palmeira, Rio Negro, entre outras). Em meados dos anos 1950, pessoas oriundas de colnias alems em Santa Catarina e Rio Grande do Sul migraram para a Regio Oeste do estado.


3.4- A colonizao no Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro foi o primeiro dentre todos os estados brasileiros a receber imigrantes alemes, tendo estes imigrantes chegado em 3 e 4 de maio de 1823[9], quando rumaram para a colnia sua de Nova Friburgo. [10] J em Petrpolis, a imigrao alem foi concebida pelo alemo (posteriormente naturalizado brasileiro) Jlio Frederico Koeler (ou Julius Friedrich Koeler), major do Imprio Brasileiro. O pitoresco do projeto de Koeler foi o fato de batizar os quarteires com nomes de cidades e acidentes geogrficos das regies (Reihnland-Westphalen) de onde vinham os colonos alemes: Kastelaum (Castelnea), Mosel (Mosela), Bingen, Nassau, Ingelheim, Woerstadt, Darmstadt e Rheinland (Rennia). As terras foram arrendadas para Koeler e, atravs dele, aos imigrantes, resultando em um sistema de foro e laudmio (enfiteuse) pago aos herdeiros de Dom Pedro II at hoje. Estes imigrantes chegaram em Petrpolis no ano de 1837.


3.5- A colonizao no Esprito Santo
No Esprito Santo, os principais imigrantes de origem germnica foram os Prussianos e os Pomeranos (provenientes de uma extinta nao entre Alemanha e a Polnia), foram os primeiros imigrantes chegar ao estado (quase 50 anos antes dos Italianos), seus fluxos imigratrios se estenderam de 1846 at 1879, se estabeleceram principalmente no Centro-Sul do Estado, a primeira colnia fundada foi a de Santa Isabel, cuja sede, denominada pelos primeiros alemes de Campinho, foi construda a primeira igreja luterana da Amrica do Sul. A imigrao alem no Esprito Santo pequena ao se comparar com, por exemplo, a dos italianos, enquanto 65% da populao do estado de ascendncia Italiana, apenas 5% da populao de ascendncia germnica.
O outro povo de origem germnica se estabelecer no estado, foram os Pomeranos, originrios de uma extinta nao entre a Alemanha e a Polnia, comearam a chegar no estado no ano de 1859, se dirigiram um pouco mais ao norte que os alemes, se estabelecendo principalmente em Santa Maria de Jetib e Domingos Martins, Os pomeranos estabeleceram suas colnias em total isolamento do resto do Estado, preservando muito de sua cultura e hbitos, como por exemplo o idioma, sendo que a cidade de Santa Maria de Jetib uma cidade bilnge. Por causa de tal isolamento e diferenas culturais com o resto do Estado, os pomeranos at hoje so relativamente excludos e lutam pela integrao na sociedade.


3.6- Colonizao em Minas Gerais
Em 12 de junho de 1858, chegaram os primeiros colonos alemes na ento cidade de Paraibuna, hoje Juiz de Fora. Todos os que vieram para c, foram contratados pela Companhia Unio e Indstria, para a construo da primeira estrada de rodagem pavimentada do Brasil. No ano de 1853, chegaram os engenheiros; em 1856, os artfices (operrios), acompanhados de suas famlias e, finalmente em 1858, chegaram os "colonos Dom Pedro II".
Na provncia de Minas, instalaram-se apenas duas colnias alems no sculo passado, ambas por iniciativa particular. Em 1856, Tefilo Ottoni fundava, s margens do rio Mucuri, a colnia Nova Filadlfia e, em 1858, Mariano Procpio Ferreira Lage fundava a colnia Dom Pedro II, prximo cidade de Paraibuna.
Mariano Procpio fundou a Cia Unio e Indstria. No havendo no Brasil engenheiros especializados em estradas de rodagem, ele os contratou na Europa - dois na Frana e sete na Alemanha. Eles chegaram no ano de 1853. A Companhia estava, contudo, desaparelhada para o incio das obras, surgindo a necessidade de construo de vrios galpes junto estao de Rio Novo. Neles, foram montadas as oficinas de mecnica, ferraria, carpintaria, moinhos e, mais adiante, uma grande olaria. Modernas mquinas da poca foram importadas da Europa, entre elas, uma que fazia sozinha, todo o servio de carpintaria. Quando da inaugurao da estrada, em 1861, o imperador fez questo de v-la trabalhar, por ser pioneira no Brasil.
Para movimentar o maquinrio importado, os engenheiros utilizaram uma queda d'gua existente no "Crrego da Cascata", instalando nele a primeira turbina "Pelton" no Brasil. A Companhia tambm construiu, no Largo Unio e Indstria - Largo do Riachuelo - um grande sobrado, em estilo suo, para nele instalar as oficinas de sergeiro, seleiro, correio e prateiro.
Em 1857, Mariano Procpio tomava conhecimento da existncia de uma verba da Repartio Geral das Terras Pblicas, destinada importao de colonos "braos livres" da Europa. A Cia. Unio e Indstria, que tinha sido criada com a finalidade exclusiva de construir uma estrada de rodagem, resolveu tambm entrar na "corrida" disputando a importao dos colonos "braos livres". Para coloc-los, aproveitaria os terrenos de sua propriedade, na estao Rio Novo. No mesmo ano chegaram 1162 colonos.
Quando os trilhos da estrada de ferro D. Pedro II atingiram a localidade de Trs Barras ( Trs Rios ), teve incio a decadncia da Cia. Unio e Indstria. Quando a Estrada de Ferro atingiu Juiz de Fora, consumou-se a falncia da Unio e Indstria.


A colnia alem D. Pedro II
A inesperada chegada dos colonos cidade de Paraibuna, trouxe para a Companhia Unio e Indstria, um grave problema: a falta de alojamentos. Assim a Cia. Unio e Indstria iniciou em rtmo acelerado, a construo de casas para os colonos nas colnias de cima (hoje bairro So Pedro ), do meio (hoje bairro Borboleta) e de baixo (hoje bairro Mariano Procpio). Somente no ano de 1863 que todas as famlias estavam alojadas.


3.7- A poltica imigratria
A princpio, o governo brasileiro sempre reconheceu, desde a independncia, que a imigrao estrangeira seria indispensvel para o crescimento do pas. Mas a poltica oficial para a imigrao alem teve incio quando o governo viu a necessidade de povoar as provncias do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, para proteger e defender as fronteiras do sul do imprio, alm de que desejava criar uma classe mdia de pequenos agricultores que pudessem produzir alimentos para o mercado interno. O governo brasileiro controlaria a vinda dos imigrantes e pagaria a passagem para os colonos, tambm incentivando com lotes de terras gratuitos, j demarcados, alm de subsdios em dinheiro ou em instrumentos de trabalho.
Por iniciativa de Dom Pedro I, foram criadas colnias alems de norte a sul do Brasil, porm com enfoque nos estados do Sul (1824). Os imigrantes alemes se reuniam em grupos e formavam as colnias, onde podiam exercer suas profisses, e no tinham restries em relao ao idioma, religio ou tradio. Por muito tempo diversas colnias ficaram isoladas, algumas at esquecidas e desprovidas de ajuda, gerando grandes lutas de sobrevivncia dos colonos alemes nas novas e isoladas terras, com clima diferente e em muitos casos, ataques ou hostilidade por parte de brasileiros (ndios ou no). As vias de acesso que foram prometidas no foram cumpridas, e, se chegaram, foram dcadas mais tarde. A construo de uma infra-estrutura bsica tambm falhara, com o governo descumprindo suas promessas iniciais.
Algumas colnias sobreviveram, mesmo que de forma precria, voltando a um estilo precrio de vida, havia muito tempo j extinto na Alemanha. Outras colnias conseguiram se desenvolver e se expandir demograficamente, desenvolvendo sua economia e novos trabalhos, alguns desconhecidos dos brasileiros, pois tinham tcnicas diferentes, ganhando mercado de trabalho nacional e tambm internacional, atravs da venda de produtos coloniais e matrias-primas, e a importao de manufaturados e equipamentos que no eram produzidos no Brasil.
Devido s falhas na poltica de imigrao, o governo brasileiro resolveu mudar as regras, pretendendo assim atrair somente colonos com condies econmicas de se estabelecerem no pas e se desenvolverem. Os colonos passariam a arcar com os custos da viagem e tambm a pagar pelas terras.
Assim sendo, a imigrao que inicialmente tinha uma poltica de povoamento, de ocupaes de espaos vazios e demogrficos, agora tratava de garantir que os imigrantes se tornassem mo-de-obra para as lavouras de caf.
Com a expanso da lavoura cafeeira (1840) e com a proibio do trfico de escravos (1850), o governo brasileiro sentiu a necessidade de aumentar a quantidade de trabalhadores livres, o que se intensifica com a chegada das leis que pr-anunciavam a abolio por completo da escravido. Para suprir a falta de mo-de-obra, medidas foram tomadas para atrair mo-de-obra europia, e o direito de trazer imigrantes, antes sob o controle do governo imperial, foi aumentado, assim cada provncia poderia ter sua prpria poltica de imigrao e promover como quisesse maneiras de realiz-la.
Surgiram as companhias de colonizao, criadas para promover a colonizao no Brasil, que compravam terras baratas e as revendiam caras aos colonos. Os proprietrios das companhias de colonizao enriqueceram rapidamente, enquanto muitos colonos se endividaram e voltaram Alemanha.
Surgiram tambm jornais alemes especializados e destinado aos emigrantes, como o Allgemeine Auswanderungs-Zeitung (1847-1871), de Rudolstadt, e o Deutsche Auswanderer-Zeitung (1852-1875), de Bremen. Estes jornais publicavam informaes sobre imigraes, como informaes sobre os pases que recebiam imigrantes, reportagens sobre as colnias, listas dos navios e datas de partidas, preos de passagens, anncios, etc...
Investiu-se em propagandas para atrair os imigrantes para o Brasil, onde tratavam o Brasil como sendo o paraso. Cartazes, jornais, folhetos, livros e fotografias eram distribudos na Europa, atravs de agncias contratadas e com ajuda das companhias de colonizao, para estimular a vinda dos imigrantes.


3.8- Os problemas na imigrao
O governo alemo proibiu em 1859 a emigrao para o Brasil devido a um forte movimento que surgiu na Alemanha contra esta emigrao, devido a diversos problemas. Os problemas comeavam j na vinda para o Brasil, nos navios, em viagens que poderiam durar cerca de 3 a 4 meses pelo Oceano Atlntico. Em algumas situaes, imigrantes esperavam o navio por cerca de dois meses no porto de Hamburgo, em condies precrias, onde inclusive ocorriam bitos. Muitas viagens foram feitas em navios com excesso de passageiros, onde as pessoas viajavam espremidas, com alimentao deficiente e m higiene, quando no aconteciam inmeros bitos por causa de epidemias. Tambm muitos imigrantes morriam ao chegar ao Brasil, por causa de doenas tropicais.
Ao chegar ao Brasil, os imigrantes alemes sofreram para se adaptar ao clima brasileiro, ao idioma e s novas condies de vida, normalmente primitivas, que j no tinham em seu pas de origem.
Em alguns casos, chegavam ao Brasil e por no estarem suas terras demarcadas, ficavam alojados em prdios ocupados antes por escravos, aguardando durante meses o assentamento em seus lotes. Tambm por problemas na demarcao de terras, muitas brigas surgiam.
O isolamento das colnias tambm dificultava na medida que faltava acesso mdico para doenas ou partos, (quando a colnia no tinha seu prprio mdico) e muitos morriam por no chegarem a tempo na cidade mais prxima, pois dependiam de transporte por trao, o que era lento e poderia levar horas ou dias. A distncia, mas tambm a falta de dinheiro, dificultavam o acesso a tratamentos.
A situao precria para sobrevivncia causava muita decepo e desgosto, pois no eram as perspectivas que tinham quando decidiram emigrar. As promessas de que iriam para o paraso aumentavam o sofrimento, quando estavam frente a frente a matas fechadas para derrubarem a machado, onde inclusive as mulheres ajudavam.
A espera pelo cumprimento de promessas como o desenvolvimento da regio com a construo de vias de acesso e a promessa de subsdio com dinheiro ou instrumentos de trabalho (ferramentas, sementes, gado, material de construo) no foram cumpridas na maior parte das colnias alems. A liberdade de culto de religio, apesar de declarada, era somente tolerada, pois ia contra a constituio brasileira. Para tanto, os imigrantes protestantes no poderiam construir prdios que tivessem a aparncia de igreja, como usando sinos e cruzes.
Muitas terras recebidas pelos imigrantes eram simplesmente ingratas: secas e cidas, sem capacidade de boa produo de alimentos para a prpria subsistncia. At descobrirem quo infrteis eram aquelas terras, j haviam investido trabalho, sementes e tempo ao tentar cultiv-las, e entre a espera da colheita e a frustrao de no conseguir colher nada, passavam fome.
Quando os imigrantes eram empregados em alguma fazenda, muitos se viram na condio de semi-escravos, quando trabalhavam por horas a fio, e no recebiam tudo o que fora prometido pelo trabalho, isso quando no eram maltratados pelos donos das fazendas.


3.9- A imigrao durante o sculo XX
Foi no sculo XX que chegou a maior parte dos imigrantes alemes ao Brasil. S na dcada de 1920 desembarcaram 70 mil alemes no pas. A maior parte desses imigrantes no mais iam para as colnias rurais, pois rumavam para os centros urbanos: eram operrios, artfices e outros trabalhadores urbanos, professores, refugiados polticos. A cidade de So Paulo recebeu a maior parte dessa nova onda de emigrao alem: em 1918 viviam na cidade cerca de 20 mil alemes. Outros rumaram para Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro.


4- A influncia alem no Brasil
A mistura de imigrantes de diversas partes da Alemanha no criou conflitos e nem divergncias no Brasil: com o passar do tempo, criou-se uma identidade teuto-brasileira compartilhada por todos. Um exemplo claro so os pomeranos. Esse povo foi, durante sculos, marginalizado pelos alemes, o que levou milhares deles a emigrar. Apesar de no se considerarem alemes, no Brasil os pomeranos acabaram sendo agrupados entre os alemes. A cidade de Pomerode, colonizada por pomeranos, conhecida por ser a cidade mais alem do Brasil, mesmo que os antepassados da populao da cidade nem ao menos se consideravam como sendo alemes.
Em diversas localidades do Brasil, mas em especial na Regio Sul, so evidentes as marcas dos imigrantes alemes. O estado de Santa Catarina considerado o mais alemo do Brasil. Aproximadamente 35% da sua populao de ascendncia alem, a maior porcentagem dentre os estados brasileiros. As cidades do interior do estado ainda preservam a arquitetura germnica das casas, bem como a lngua alem e festas populares, como a Oktoberfest, so marcas fortes da imigrao alem no Sul do Brasil.
Os descendentes de imigrantes alemes que se fixaram nas colnias rurais do Brasil durante o sculo XIX acabaram por criar uma identidade teuto-brasileira. Embora nascidos no Brasil, esses colonos mantinham laos culturais estreiros com a Alemanha natal: a lngua alem era falada pela maioria e os hbitos continuavam os mesmos, inclusive houve vrios jornais de lngua alem nas colnias.


4.1- A lngua alem do Sul do Brasil
No ano 2004, a imigrao alem ao Brasil meridional completou 180 anos. Apesar de seu abandono e da falta de reconhecimento pelas autoridade como capital cultural intangvel e mesmo, periodicamente, vtima de polticas exterminatrias agressivas, o idioma alemo perdura como um falar regional brasileiro.
O alemo e seus diversos dialetos eram a lngua principal entre os milhares de alemes e seus descendentes no Brasil. Todavia, com a campanha de nacionalizao de Vargas, iniciada na dcada de 1930, o alemo foi sendo substitudo pelo portugus. Os fatores para a lngua alem ter sobrevivido no Brasil por diversas geraes so que, em muitos casos, professores eram trazidos da Alemanha para educar os filhos dos colonos. O meio rural tambm facilitou, haja vista que em muitas colnias alems o contato com a lngua portuguesa era mnimo.
Os falantes de alemo no Brasil se dividem em dois grupos: nas regies mais humildes e rurais, onde a presena dos professores alemes foi mnima, falam-se dialetos, dependendo de que regio da Alemanha vieram os povoadores. O dialeto mais difundido o Riograndenser Hunsrckisch (que poderia ser traduzido como hunsriqueano rio-grandense). Outros muitos falam outros dialetos minoritrios tambm distintos. Aqueles que freqentavam escolas e vivem em reas mais urbanizadas, falam o alemo padro culto hochdeutsch, como por exemplo a internacionalmente renomada autora rio-grandense Lya Luft. O ex-presidente Ernesto Geisel tambm pode ser citado, sendo que lia Goethe em seu texto original
Estima-se que haja um milho de falantes de alemo no Brasil, a grande maioria bilnges com o portugus.


4.2- A etnia teuto-brasileira
A imigrao alem no Sul do Brasil deixou marcas profundas na etnia da populao. Nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a cada trs pessoas, uma tem origens alems. Nmeros menores se encontram no Paran, em todo o Sudeste e Centro-Oeste do pas.


4.3- Assimilao e miscigenao
Na dcada de 1930, o presidente Getlio Vargas declarou guerra Alemanha e probiu o uso da lngua alem no Brasil. Isso afetou imediatamente as colnias alems do Pas. Foi a partir desse momento que as colnias que ainda se mantinham isoladas no campo passaram a se abrir para a cultura brasileira e miscigenao com outras etnias.
Nas colnias mistas do Sul do Brasil, o casamento entre alemes e italianos tornou-se um fenmeno comum. Mesmo nas colnias tnicamente alems, torna-se cada vez mais raro ver-se pessoas com ascendncia puramente alem: o casamento entre descendentes de alemes com pessoas de outras etnias tornou-se algo comum.


4.4- O abrasileiramento dos imigrantes (nacionalizao)
O projeto de nacionalizao dos estrangeiros arquitetado por Vargas surtiu grande efeito. Os alemes no Brasil, de fato, viviam em um mundo parte da realidade brasileira: confinados em colnias etnicamente alems, os imigrantes estudavam em escolas para alemes e tinham na sua cultura herana total germnica. Entre os descendentes, havia o sentimento de Deutschtum: mesmo nascidos no Brasil e, portanto, tendo como nacionalidade a brasileira, os teuto-brasileiros ainda viviam totalmente ligados Alemanha.
Depoimento importante da escritora gacha Lya Luft, nascida na colnia de Santa Cruz do Sul:

"Na minha famlia se falava "ns, os alemes, e eles, os brasileiros". Isso era uma loucura, porque ns estvamos h geraes no Brasil. E como eu era uma menininha muito contestadora, um dia, com 7 ou 8 anos, numa Semana da Ptria, me dei conta: "Por que falam 'die Brasilianer und wir'?". Eu quero ser brasileira (...) Eu nasci em 1938 e logo em seguida comeou a guerra. Em casa falvamos alemo, mas em seguida tive que falar portugus porque o alemo foi proibido. Minhas avs falavam alemo. Nenhuma conheceu a Alemanha. Eu me lembro delas sempre lendo. Isso uma coisa legal que eu tenho delas todo um imaginrio dos contos de fadas.
Em visitas s colnias alems do Sul, membros do governo brasileiro se horrorizavam ao ver brasileiros com nomes alemes e que mal conseguiam falar o portugus. Embora fosse um elemento importante para a diversidade tnico-cultural do Brasil, as colnias alems eram um meio fcil da propagao nazista. A nacionalizao do governo Vargas foi um grande divisor de guas: de uma gerao para outra, os descendentes de alemes perderam praticamente toda a sua identidade e se tornaram essencialmente brasileiros.


4.5- Reavivando a cultura Teuto-brasileira
Nas ltimas dcadas, v-se uma tentativa de reavivar a cultura germnica nas reas de colonizao alem. Exemplos so festas populares, como a Oktoberfest.
Todavia, tais manifestaes so mais tursticas que representaes de cultura tnica. A Oktoberfest, por exemplo, s se popularizou na regio na dcada de 1980: no foi trazida pelos imigrantes, mas importada como forma de alavancar a economia regional. Cidades de colonizao alem comearam a ressuscitar a arquitetura enxaimel, trazida pelos imigrantes, embora o estilo arquitetnico estar extinto na Alemanha desde o sculo XVIII.
Os descendentes de alemes esto completamente integrados sociedade brasileira h mais de trs geraes. O que se assiste nas antigas colnias alems uma tentativa de alavancar o turismo local, usando do que restou de uma cultura teuto-brasileira extinta desde a dcada de 1940 para promover festas ditas "alems". A cidade de Pomerode, por exemplo, tem como slogan "a cidade mais alem do Brasil". De fato, o municpio foi povoado por pomeranos, povo mais relacionado aos eslavos do que aos germnicos. Durante sculos, os pomeranos foram explorados pelos alemes e sua cultura bastante diferente da cultura alem. Ignorando os fatos histricos, Pomerode se orgulha em se dizer a "mais alem do Brasil".


Bibliografia
STEHLING, Luiz Jos. Juiz de Fora a Companhia Unio e Indstria e os Alemes. Juiz de Fora. 1979.
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